Header Ads

Mostra Setembro Amarelo


Aderindo à campanha de prevenção ao suicídio, o Cineclube Opiniões realiza a Mostra Setembro Amarelo. Serão filmes de ficção, documentário e animação que vão abordar o suicídio e seus possíveis motivos, além das consequências na vida das famílias e da sociedade. Serão exibidos durante o mês três ficções, um documentário e uma animação. As sessões ocorrem sempre aos sábados, às 19h, na Filmoteca Acreana.

De acordo com o Núcleo de Prevenção ao Suicídio de Rio Branco, até o mês de agosto desse ano foram notificados 200 casos de tentativa de suicídio na capital acreana. Renan Praxedes, membro do Cineclube Opiniões, afirma que o tema precisa ser debatido sem sensacionalismo pela sociedade.

“A ideia do cineclube foi convidar profissionais da psiquiatria e psicologia. Todos os sábados realizamos um debate após cada exibição. Tratando-se de um tema sensível, delicado e abordado de forma sensacionalista, em alguns casos, até pela mídia, o Cineclube quer discutir a questão apoiado por informações corretas e fugir do achismo”, diz.

A mostra começa com a exibição do filme espanhol “Mar Adentro”, dirigido por Alejandro Amenábar, que aborda a questão da eutanásia. Baseado em eventos reais, o longa-metragem retrata a história de Ramón Sampedro, um marinheiro que ficou tetraplégico após um acidente de mergulho, mostrando sua luta pelo direito de não continuar vivendo. A intenção é discutir os motivos que levam alguém a tirar a própria vida. Logo em seguida, a psicóloga Andreia Cristina Vilas Boas, coordenadora do Núcleo de Prevenção ao Suicídio em Rio Branco fará um debate sobre suicídio e eutanásia.

Ainda serão exibidos em setembro os filmes “Orações por Bobby” (ficção); “The Bridge - A Ponte” (documentário); “As Virgens Suicidas” (ficção) e "A Pequena Loja de Suicídios (animação). “O tema, mesmo na vida real, não se apresenta de forma isolada. Há um contexto que estimula a pessoa que quer praticá-lo. E as produções que serão exibidas abordam de maneiras bastante diferentes a questão”, acredita Renan.

Entrevista cineclubista: Setembro Amarelo

Durante todo o mês de setembro o Cineclube Opiniões realizará a Mostra Setembro Amarelo, que pretende discutir o suicídio, suas causas e as consequências que trás para a sociedade e as pessoas envolvidas. Para saber um pouco mais sobre a proposta da mostra, fizemos uma entrevista com Renan Praxedes, membro do cineclube.

Leia agora a entrevista completa com Renan Praxedes, um dos idealizadores da Mostra

Como foi feita a escolha dos filmes?

A seleção das exibições desse mês de setembro foi feita em conjunto por membros do cineclube. E o interessante, além das escolhas, é a diversidade audiovisual. Serão três ficções, um documentário e uma animação, preenchendo os cinco sábados de setembro.

O suicídio é o tema central da mostra?
Sim. O suicídio e seus possíveis motivos, consequências na vida das famílias, na sociedade. O tema, mesmo na vida real, não se apresenta de forma isolada. Há um contexto que estimula a pessoa que quer praticá-lo. E as produções que serão exibidas abordam de maneiras bastante diferentes a questão.

Por que discutir suicídio?
Setembro Amarelo é uma campanha mundial, que acontece no Brasil desde 2014. O Acre aderiu ao “Setembro” em 2015. Todo dia há registro de casos no Huerb (Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco). E nas 3 UPAS (Unidades de Pronto Atendimento), com menos frequência, também acontecem. Até o mês de agosto desse ano foram notificados 200 casos. Esses dados são do Núcleo de Prevenção ao Suicídio, essa é uma questão de saúde pública, tanto pelo número de tentativas quanto pelo de óbitos consumados. Vem daí a importância de debater o tema.

Como a arte pode contribuir com a prevenção de suicídios?
A arte deixa as pessoas em movimento, seja físico ou mental. Ela gera reflexões, perguntas, respostas, dúvidas. Tira a pessoa do modo mais natural de raciocinar e instiga conhecer uma nova mensagem, um novo mundo dentro desse mundo maior em que se vive. Se as pessoas se mostram abertas a assistir a um filme, por exemplo, significa que elas se colocam no alvo, no destino que toda obra de arte quer atingir. E, no caso do tema central da campanha, contar histórias de suicídios motivados por questões que podem ser evitadas ou contornadas pode contribuir na prevenção.

Como o cineclube pretende realizar o debate de um tema tão delicado?
A ideia do cineclube foi convidar profissionais da psiquiatria e psicologia. Todos os sábados realizamos um debate após cada exibição. Tratando-se de um tema sensível, delicado e abordado de forma sensacionalista, em alguns casos, até pela mídia, o Cineclube quer discutir a questão apoiado por informações corretas e fugir do “achismo”, ou seja, “eu acho isso, acho aquilo”.

Quais os cuidados que se tem ou deve-se ter ao abordar um tema como esse e levar a discussão para um espaço público?

O espaço público é de todos. O que é público não exclui as pessoas, deve agregar. Para discutir esse tema não se pode ser sensacionalista nem desrespeitoso com a imagem das pessoas que passam por problemas de saúde mental, que têm conflitos de ordem emocional. Também deve existir o cuidado com as opiniões emitidas sem respaldo científico, em alguns casos. Decidir deixar de viver vai muito além do choro daqueles sofrem a perda de um ente querido.

Por que começar com um filme que fala sobre eutanásia, em que o personagem principal luta pelo direito de tirar a própria vida, em uma mostra vinculada a prevenção ao suicídio?

O caso da eutanásia, considerada homicídio assistido no Brasil (sendo proibida em nosso país) tem um viés diferente da maioria dos casos que se tem notícia. O protagonista de Mar Adentro é tetraplégico e, segundo a medicina, não há qualquer possibilidade de voltar a ter mobilidade corporal. Então, nesse caso, uma reflexão que surge é a seguinte: quando uma pessoa sabe que sua situação não tem qualquer possibilidade de alteração e ela não padece de algum transtorno psiquiátrico, qual o obstáculo para que ela mesma decida, com lucidez, que não quer mais continuar vivendo sem ter prazer nisso? Esse é um debate que queríamos trazer à tona.

(Os dados estatísticos foram fornecidos pela psicóloga Andreia Cristina Vilas Boas,
coordenadora do Núcleo de Prevenção ao Suicídio, em Rio Branco).
Acompanhe o site e a nossa página no Facebook para as informações semanais da Mostra

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.