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O NATAL DOS GAMERS



Todo mês de Junho é a mesma coisa. Em uma semana ocorre a Worldwide Developers Conference (WWDC), evento onde Apple, Intel e Google mostram o que está por vir no mundo dos dispositivos eletrônicos do nosso cotidiano. E um ou dois sábados depois – no caso desse ano, foi no dia seguinte – o show é dos fabricantes de consoles de videogame, desenvolvedores e executivos do setor, onde são reveladas as maiores novidades da indústria que movimentou 91 bilhões de dólares no último ano.
Bem-vindos à Electronic Entertainment Expo, popularmente conhecida como E3. Iniciada em 1995, após uma série de iniciativas para regular a indústria para o consumidor médio (iniciados pelo fatídico jogo Mortal Kombat, que trouxe à tona o debate da violência e censura) esse evento se tornou um marco para as grandes empresas realizarem conferências de imprensa. Nessas conferências são anunciadas as novidades que irão fazer a festa dos gamers ao longo do ano ou mais à frente.
Como tradição da E3, certas empresas têm palcos e plataformas dedicadas para apresentar suas novidades, e como parte desta tradição, jornalistas e analistas fazem um resumão de tudo que ocorreu nessas conferências. Nós do Cineclube não fugimos à regra, e aqui damos as nossas considerações sobre cada um dos 6 dias (10 a 15 de Junho):
SÁBADO — 10/06
Electronic Arts: Desde o ano passado a EA tem realizado uma mistureba de conferência com estande em suas exibições de auditório, num formato que eles batizaram de EA Play. Isso, no entanto, não muda em nada a imagem de executivos-engravatados-que-fazem-negócios-espúrios-e-insistem-em-fazer-os-fãs-de-trouxas construída ao longo dos anos.Esse ano não foi diferente. Com exceção de uma boa apresentação do multiplayer de 40 pessoas para Star Wars: Battlefront II, as exibições da expensão de Battlefield One, Madden 18, FIFA 18, NBA Live 18 foram sem sal, enquanto que a apresentação de Need for Speed: Payback foi uma bagunça, em especial por conta do nervosismo do YouTuber Jesse Wellens em apresentar o jogo (pelo menos depois ele fez um vídeo rindo do ocorrido – bom pra ele).
Houve, no entanto, dois momentos de destaque: O primeiro protagonizado por Josef Fares, o carro-chefe do Hazelight Studios, criadores do inovador Brothers: A Tale of Two Sons. Josef apresentou a nova empreitada do estúdio independente, realizado por meio de uma parceria com a EA. O jogo se chama A Way Out, e segue a premissa de ser um jogo exclusivamente jogado via campanha cooperativa com tela repartida, sendo inclusive recomendado que os dois jogadores estejam sentados no mesmo sofá. Foi o grande ponto alto da conferência, e esse jogo roubou o show para os olhos de muita gente. O segundo momento, logo em sequência, foi Anthem, a nova franquia da Bioware após o desastroso lançamento de Mass Effect: Andromeda, que promete ser um competidor direto de Destiny, da Bungie. Apenas um teaser foi mostrado, mas no dia seguinte a demonstração oficial seria feita na conferência da Microsoft. No final houve a demonstração do multiplayer de Battlefront II e, encerrada a conferência, o evento foi logo esquecido pelos entusiastas.
A E3 estava apenas começando, afinal de contas, e a EA sequer serviu de aperitivo para o que viria em frente.
DOMINGO — 11/06
Microsoft: A empresa de Bill Gates tinha muito que provar este ano. Ano passado eles anunciaram o Project Scorpio, e muitas análises e especulações sobre o suposto “console mais poderoso de todos os tempos” escalou até o dia da apresentação. Depois de anos sendo massacrado pelas vendas tímidas, ausência de exclusivos e a supremacia do PlayStation 4, esse era o momento de dar o troco. E, como o tempo provaria nos dias seguintes, foi um troco bem aplicado se deixar de lado alguns apesares.
O nome oficial do console tunado é Xbox One X (abreviando, fica XBOX – vejam só :P), custa 499 dólares (o mesmo preço do XBO original em seu lançamento – cerca de 2800 aqui no Brasil, já taxado) e será lançado no dia 7 de Novembro. Consegue ser menor do que o modelo Slim e ainda assim portar especificações mais altas do que muitos dos PC’s dedicados deste ano.
O maior destaque, no entanto, foi a quantidade absurda de trailers e demonstrações: 44 no total, sendo 22 destes exclusivos (se não considerar o fato de que todos eles também rodam em Windows 10, isto) Vários jogos foram trailers bem apresentados: Metro Exodus, Dragon Ball FighterZ, Ori & the Will of the Wisps, State of Decay 2, entre outros. Outros foram demonstrações de gameplay boas, porém com alguns pequenos defeitos técnicos quase imperceptíveis para o olho não-treinado, como Assassin’s Creed: Origins e Middle Earth: Shadow of War. A única demonstração infalível da conferência foi, pela segunda vez seguida, Sea of Thieves, o jogo de piratas que será lançado no começo de 2018.
A maior gafe foi durante a apresentação de Forza 7. Uma parceria de 6 anos entre a Microsoft e a Porsche determinou que os novos carros da empresa seriam exibidos nos auditórios da E3 até 2021. O primeiro carro a ser apresentado foi o mais recente modelo da linha 911. Mas 911 não é pronunciado “nine-hundred eleven” ou “nine one one”, não senhor. Pronuncia-se “nine eleven”, tal qual o fatídico dia em que o World Trade Center foi atingido por dois aviões. A internet, com bom motivo, pirou com essa gafe e fez inúmeros memes pelo resto da E3. E com isso, a Microsoft emplacou mais um momento no hall da vergonha da feira (da qual ela já foi protagonista em 2007 e 2013).
Bethesda: A maior das subsidiárias do grande aglomerado que é a ZeniMax Media começou a ter seu próprio show em 2015, e não tem decepcionado desde então. Este ano a mecânica da apresentação foi bastante diferente. Ao invés do típico ‘cara entra → fala sobre jogo → trailer → repita a operação’ o show todo foi exibido em um vídeo temático: Bethesda Land, o melhor parque de diversões que você respeita, com direito a VR de Doom, Fallout 4 e Skyrim; a versão para Nintendo Switch de Skyrim (com suporte de Ammibo); a continuação de The Evil Within; conteúdo extra para Dishonored 2; acesso beta para Quake Champions (e um campeonato mundial); e a chegada de Morrowind para o universo de Elder Scrolls Online.
A surpresa final foi Wolfenstein II: The New Colossus. A apresentação inicial teve um ar de Fallout — programas de TV dos anos 40 como Lassie sendo protagonizados pelos nazistas — seguido de uma série de diálogos e animações mostrando como seria os Estados Unidos se Hitler tivesse ganhado a guerra.
E, para nossa alegria, o primeiro FPS da história continua com várias armas e várias maneiras criativas de matar nazistas, incluindo cadeira de rodas, uma esposa grávida e até uma balinha na língua (a outra espécie de bala), fechando com chave de ouro mais uma boa conferência, embora curta e estranha em alguns pontos.
Devolver Digital: A desenvolvedora de Serious Sam e Hotline Miami se tornou uma gigante em distribuição e acolhimento de iniciativas independentes, financiando projetos que empresas maiores não costumam apoiar. Foi um vídeo curto para fechar a madrugada, durando apenas 15 minutos e apenas dois jogos foram apresentados. O foco maior foi em zoar as típicas apresentações de conferência das grandes empresas, com direito a um computador que aceita o dinheiro que você joga na tela até outras coisas mais bizarras, concluindo com a cabeça da apresentadora explodindo.
Foi basicamente um episódio de um programa do Adult Swim, que ganhou merecidamente a simpatia da internet.
SEGUNDA-FEIRA — 12/06
PC Gaming: Este ano a Intel resolveu patrocinar o evento, em contraste com os demais anos onde a AMD era a patrocinadora. Isso deu margem para vários anúncios da gigante dos processadores, inclusive com uma promoção para ganhar um PC super tunado. Fora isso, foi um show de jogos e visuais impressionantes dignos da “raça mestra”. As novas expansões de XCOM 2, Mount and Blade 2 e PLAYERUNKNOWN’S BATTLEGROUNDS prometem anos a mais de longevidade e diversão para esses jogos, enquanto que Ooblets, Tunic, The Last Night e YLands foram excelentes surpresas do cenário mais independente de jogos. War Groove e Shadow of War tiveram novas e maravilhosa demonstrações, aumentando as expectativas para esses jogos que chegam logo.
A maior supresa ficou reservada para o final, com um remake definitivo do primeiro Age of Empires (eu ouvi um WOLOLO?) Mesmo com a extinção do lendário Ensemble Studios, a equipe da Microsoft que está trabalhando nesse remake promete fazer jus a essa grande saga de jogos, com mais surpresas a caminho.
Ubisoft: Uma das grandes surpresas do evento este ano. Mas antes de falar da conferência, vamos colocar um pouco de contexto: nos últimos meses a empresa francesa liderada por Yves Guillemot teve lançamentos bem-sucedidos de For Honor e Ghost Recon, porém os problemas com serviços on-line, entre outros fatores, mancharam bastante a imagem da empresa até o momento. E com as recentes compras de ações da empresa feitas pela também francesa Vivendi, uma gigante da mídia, há a crescente preocupação de que possa ocorrer uma aquisição hostil. Além de Yves, outros desenvolvedores e executivos podem acabar saindo da Ubisoft se isso acontecer, e isso pode acarretar em consequências desastrosas para a indústria como um todo. A tensão é alta, e tanto os jogadores quanto os acionistas estão preocupados com o que pode vir a acontecer.
E a Ubisoft veio com tudo para acalmar os ânimos. Iniciou a conferência fortemente, com um jogo já vazado pela imprensa: Mario+Rabbids: Kindgom Battle, um crossover pelo qual ninguém pediu e tinha tudo pra dar errado. Porém, revelou ser um jogo bonito, bem refinado e com uma mecânica de combate no melhor estilo XCOM com todos os defeitos corrigidos. E o lendário criador de Mario, Shigeru Miyamoto, apareceu com uma bazuca do jogo na mão, elogiando o trabalho da equipe e deixando todos emocionados, em um dos momentos mais simbólicos da história da E3.
A conferência seguiu adiante, com mais detalhes sobre Assassin’s Creed: Origins, a continuação do jogo de corrida The Crew, um novo jogo de VR feito pela Spectervision, Just Dance 2018, a expansão de Steep para as Olimpíadas de Inverno e uma excelente demonstração de Far Cry 5. Uma nova experiência, Skull and Bones, foi apresentada com uma ótima demonstração. É um jogo de piratas que herda as melhores mecânicas de combate naval de Assassins’s Creed IV: Black Flag e aprimora belamente. Outra novidade é Starlink: Battle for Atlas, a iniciativa da Ubisoft em criar uma coleção de brinquedos que serão usados para trazer mais conteúdo ao longo do tempo.
O final também foi de surpreender: Beyond Good and Evil 2, a continuação do clássico cult de 2003, foi novamente mostrado, depois de anos de desenvolvimento congelado. A equipe da Ubisoft Montreal passou três anos desenvolvendo somente a tecnologia, para finalmente a equipe de narração preparar um jogo que se passa anos antes da história original, em um ambiente que lembra o filme O Quinto Elemento. Michel Ancel (diretor e cara consagrado dentro da empresa) e Gabrielle Shrager (diretora de narrativa) subiram ao palco com lágrimas nos olhos, agradecendo a equipe, ao Yves e aos fãs por manterem a chama da esperança acesa por quase 15 anos. No final, Yves e os demais funcionários da Ubisoft se reuniram em cima do palco como uma grande família e encerraram o show.
Foi uma conferência para ficar na história da E3.
Sony: Após a conferência avassaladora do ano passado, a Sony passou o resto de 2016 de vento em popa. E esse ano tinha tudo pra ser tão grandioso quanto, com o mesmo palco e tudo mais. Porém, a orquestra foi trocada por performances teatrais, e poucas novidades foram apresentadas. Uncharted: Lost Legacy, DAYS GONE, God of War, Detroit: Become Human, Marvel vs Capcom: Infinite e Call of Duty: WW2 já eram esperados, mas houve uma gritante ausência de Final Fantasy VII Remake, Kingdom Hearts 3, The Last of Us Part II e Death Stranding durante a conferência e o resto do evento. A maior surpresa do evento foi o remake de Shadow of the Colossus, um dos melhores jogos da história do PS2.
Comparado ao estrondoso sucesso da conferência de 2016, este ano a Sony foi decepcionante.
TERÇA-FEIRA — 13/06
Nintendo: Após o bem-sucedido lançamento do Switch e a ótima recepção de The Legend of Zelda: Breath of the Wild (possível jogo do ano), o desafio atual da Nintendo era simplesmente de estufar o seu novo console com mais jogos, para que tenham a esperança de repetir o sucesso do Wii. E eles não desapontaram.
A primeira surpresa foi na pequena propaganda inicial, com a aparição de Rocket League, um jogo que já havia sido especulado, mas que agora é presença confirmada, com conteúdo exclusivo e conectividade com outras plataformas. Logo após, Xenoblade Chronicles 2 apareceu mais uma vez, já localizado para o Ocidente e com previsão de chegar ainda este ano, assim como Fire Emblem Warriors — o jogo que pega personagem da saga Fire Emblem e os coloca em um sistema de luta tal qual o de Dynasty Warriors. Um novo jogo do Kirby — com uma mecânica similar a do clássico do Super Nintendo — e do Yoshi — cujos gráficos parecem ter saído de uma aula de artes do pré-escolar de tão minimalista e fofo — foram confirmados para 2018. E mais detalhes foram dados para os pacotes DLC de Breath of the Wild que sairão dia 30 de Junho e no Natal.
Porém, as notícias bombásticas de que um jogo principal da saga Pokémon e Metroid Prime 4 já estão em desenvolvimento foram um completo choque para quem estava assistindo, e motivo para gritar e comemorar. E mais uma vez Super Mario Odyssey teve um trailer de ‘tirar o chapéu’ (pra quem não entendeu, essa é a mecânica principal do jogo), fechando com chave de ouro a apresentação em vídeo que durou ridículos 25 minutos.
Logo após, a Nintendo iniciou os trabalhos da sua Treehouse, evento que entrevista e dá mais detalhes sobre os jogos vistos na apresentação de vídeo, entre outras novidades. Dessas novidades, outra bomba: Metroid: Samus Returns, o remake do clássico do Game Boy. Pra quem sentia saudades da saga estralada por Samus Aran, DOIS jogos no mesmo dia foi demais para o coração. Um remake de Mario & Luigi: Supestar Saga também foi anunciado, com uma história bônus. Outras demonstrações estendidas dos jogos apresentados tomaram de assalto o show da Nintendo, dando mais notoriedade para o Switch.
Nintendo is back, baby.
CONCLUSÃO: Ubisoft e Nintendo foram as grandes surpresas do show, em especial por conta das dificuldades anteriores, além do inesperado enfraquecimento da Sony. Microsoft ganhou vários pontos esse ano, após anos de humilhação nos shows e na internet. PC e Bethesda mantiveram o nível de qualidade já apresentado, e a Sony foi a que mais abaixou o nível — embora a causa maior seja o fato de que o ano passado foi tão bom que não havia chance de superar. EA continuou sendo a pior das conferências desde 2011, e o primeiro show da Devolver foi hilário, além de ser uma bela resposta à EA e suas diversas práticas antiéticas na indústria.
No final, como todo ano, o grande vencedor da maior feira de jogos foi o público. Este ano de 2017 foi bastante curioso de acompanhar, em especial por conta de dois fatores: O primeiro é a quantidade absurda de vazamentos e furos de reportagem feitos por redes sociais e fóruns já consolidados, como 4chan e Reddit, que estragaram bastante o fator surpresa de vários anúncios. O segundo é a ausência de vários pesos-pesados, que deixaram no ar um clima pesado de ‘quero mais’, que provavelmente não será atenuado até a Gamescom de Agosto, na Alemanha. Isso, porém, não reduziu o impacto do evento, que abriu margem para outras pequenas e agradáveis surpresas tomarem de assalto o evento e capturar o coração de gamers mundo afora. Foi uma E3 diferente, mas não menos grandiosa como todas as outras. E a indústria de games só tem a ganhar com as novidades apresentadas nesta última semana.
Viva a E3, e Happy Gaming!
Por Samuel Alves

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