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O cinema de Lúcia Murat


Não é novidade que o Brasil enfrenta uma crise política há, no mínimo, 500 anos. A notícia de corrupção envolvendo o Presidente do país foi tão chocante e inesperada que a internet foi obrigada a reagir de forma dura, e medidas sérias foram tomadas: já viram o vídeo que usa a música Sweet Dreams como plano de fundo do Jornal Nacional durante o anúncio do escândalo? “[...] Diante dessa informação, Temer diz nessa gravação: ‘tem que manter isso, viu?’ [Sweet dreams are made of thiiiiis, who am I to desagree?]”.

Pela desesperança em qualquer melhora na política brasileira, falta de sentimento de responsabilidade, desinformação ou preguiça, grande parte dos jovens prefere rir da corrupção a fazer algo contra. Fazer o que? Protestar? Mostrar descontentamento? A galera nem sabe por onde começar. Talvez possamos nos inspirar na coragem de quem usou esse descontentamento como motor de mudança, de atitude contra a injustiça, a corrupção, a opressão. Vamos falar de uma mulher que enfrentou carrascos poderosos, protestou pelo fim da ditadura e, por meio do cinema, denunciou as torturas sofridas. Vamos falar de Lúcia Murat!


Lúcia, nascida em 1948, iniciou sua vida de militante política ainda na universidade, quando se inseriu no movimento estudantil. Quando foi decretado o AI-5, considerado o mais duro golpe na democracia brasileira, Lúcia Murat entrou para o MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro). Em 1971, aos 22 anos, foi presa e levada ao DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), onde sofreu torturas e, após passar um ano como clandestina em Salvador, foi encarcerada até 1974. As torturas sofridas por Murat envolveram, inclusive, violência sexual, assunto retratado em suas obras cinematográficas.

Lúcia Murat dedica sua carreira no cinema à política, principalmente no que se refere aos anos do golpe e à vivência feminina. Seu primeiro longa-metragem, Que bom te ver viva (exibido no Cineclube Opiniões em 2016, na segunda edição da mostra Cinema e Ditadura), premiado no Festival de Brasília de 1989, é um semi-documentário que conta com depoimentos de mulheres torturadas durante a ditadura militar. A atuação de Irene Ravanche como uma personagem autobiográfica de Murat descreve, também, situações de sua vida após as torturas, enfrentando traumas e o preconceito machista sofrido por ser vítima de violência sexual. 


Sua filmografia inclui, entre outras, as obras Doces poderes (1996), Brava gente brasileira (2000), Quase dois irmãos (2003), O olhar estrangeiro (2005), Maré, nossa história de amor (2007), Uma longa viagem (2011), A memória que me contam (2012), A nação que não esperou por Deus (2015) e Em três atos (2015), todos com forte teor político, pois nunca deixou de fazer do cinema uma arma contra a opressão. 

Por  Lara de França, CCO.


           
           

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