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Frango com Ameixas


Teerã, 1958. Nasser Ali Khan, o mais célebre dos violinistas, vê seu amado instrumento ser quebrado. Incapaz de achar outro para substituí-lo, a vida sem música lhe parece intolerável. Ele passa seus dias na cama e se afunda cada vez mais em devaneios que vão da sua juventude ao futuro dos seus filhos. No decorrer das semanas que se seguem, e enquanto os pedaços dessa história se encaixam, seu doloroso segredo é revelado, assim como evolui sua decisão de abrir mão da vida pela música e pelo amor. Esse é Frango com Ameixas, mais novo filme de Marjane Satrapi, que o Cineclube Opiniões exibe sábado, 05, na Filmoteca Acreana, a partir das 19h. Veja abaixo as impressões do cineclubista e diretor Teddy Falcão sobre o filme, vencedor da Mostra Internacional de São Paulo.


Frango com Ameixas, por Teddy Falcão 

Sim, essa é uma história de amor. Adianto a você. Mas não é só isso: uma história de amor como nos acostumamos. É o relato dos últimos dias do músico Nasser Ali Khan, um violonista que tem a música como o ar, como a coisa essencial e mais necessária ainda que todas as coisas fundamentais pra viver, pra existir, pra ser um homem, um humano. São os dias desde que ele decidiu morrer. Pelo contrário, a forma que ele pensou pra dar um fim a sua própria vida passa longe de ser um drama, é hilário! Veneno, pra morrer com poesia e melancolia, bala na cabeça pra um suicídio clássico, pular do penhasco, xii! Se jogar na frente do trem, nops, dolorido demais e finalmente, não viver mais e esperar a morte no seu quarto, lhe pareceu a melhor a opção e, a partir daí as suas memórias nos contam os porquês de não valer mais viver.


Todos temos algo porque viver, todos somos passíveis de perdas e desilusões. Todos perdemos a fé, vez ou outra a tristeza é imensa e isso, percebo, é incrivelmente necessário para que possamos seguir adiante pois, o sol que vem depois das tempestades é sempre mais bonito! O protagonista estava diante de todas essas possibilidades tristonhas e não quis seguir em frente. Ele perdeu a única coisa que o fazia querer ir adiante desde que perdera o seu grande amor para orgulho, preconceito e ditadura de um pai. Quando decidiu morrer, casado com dois filhos, estava no auge da infelicidade matrimonial. Nunca prometera amor, tampouco sorria com paixão ou ternura para a mulher que insistia em querer lhe conquistar. Nunca superou a perda do amor juvenil e poético de anos passados. Essa amargura, saudosismo e etc, foi se impregnando, entristecendo e enfurecendo a mulher, pobre mal amada. Ela lhe matou. Numa tarde, ouvira as escondidas ele tocando a musica mais bonita, mais triste, mais encantadora, mais surreal que alguém poderia tocar e, ela sabendo que não era pra ela, lhe tirou a musica quebrando o violino. Ele procurou, procurou, mas não conseguiu um instrumento que lhe deixasse feliz com o som. Foi o fim.


O fim, pra nós cinéfilos, é o inicio do filme que marca de vez a sensibilidade, a ousadia, a arte em exploração profunda de Marjane Satrapi. Assim como já aconteceu com Persépolis - O Filme, quem dirige Frango com Ameixas é a própria quadrinista, em parceria com Vincent Paronnaud - desta vez trocando a animação pelo live-action. Maria De Medeiros, Golshifteh Farahani (Procurando Elly), Isabella Rossellini,Chiara Mastroianni e Jamel Debbouze também estão no elenco. Aqui, o protagonista nos conta como conheceu, viveu e perdeu o amor. As imagens que dão vida ao roteiro da dupla Satrapi e Paronnaud nos fazem respirar fundo, ofegar e suspirar a todo o momento. Christophe Beaucarne comandou a fotografia e, foi sensacional! Há um equilíbrio estético estonteante! O filme é sobre um homem infeliz. É sobre o homem mais feliz que a música poderia fazer. É sobre o quanto não se pode saber sobre o amor. É sobre a união e, mais ainda sobre a separação. O pai não entende. Ele é mal. É criança como a menina, a menina mais bonita. É com o som melancólico e apaixonante do violino que ele alcança o coração dela. Por causa do tempo, do sino, do sinal, da sina que a vida é, viveu a relâmpagos o amor. Frango com ameixas é graça e melancolia. É arte, fotografia e mais ainda poesia! Lágrimas no fim, por causa das coisas que sentimos, não são muito evitáveis. Entende? O filme é bom, muito, muito bom! 

PORTANTO, NÃO SE ESQUEÇA!


QUANDO: Dia 05 de Maio (Sábado)

ONDE: Filmoteca Acreana (Anexo a Biblioteca Pública)

HORAS: 19 Horas!

TRAILER:

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